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“Porque tudo o que o
homem semear, isso também ceifará.” Gálatas 6:7b
Na minha escola eu sempre fui um menino tímido. Daqueles
que gostam de estudar e que tiram as melhores notas. Na
verdade, além de sempre entender que estudando eu estava
construindo um futuro para mim, outra razão que me
levava a estudar muito era a solidão. A tristeza e a
solidão, causados pela timidez, transformavam os livros
em amigos para mim.
Eu sonhava em ter amigos,
mas ficava sempre quietinho no meu canto.
Havia na minha sala um menino que era o oposto de mim.
Não queria nada com os estudos, mas era
super-comunicativo. Com certeza ele era um dos alunos
mais populares da escola.
Não sei dizer como começou a
amizade entre a gente. Acho que foi em um momento em que
ele estava correndo um risco sério de perder o ano, e a
professora pediu que eu o ajudasse. Eu comecei a mostrar
para ele que o estudo das matérias poderia se tornar
interessante. Comecei a fazer com que descobrisse formas
divertidas de estudar, e a passar a gostar dos estudos.
E enquanto isso, foi
nascendo uma amizade muito sincera entre a gente; a tal
ponto que um dia ele me perguntou: Como é que uma pessoa
tão legal como você fica escondida dentro de si, sem
ninguém te conhecer, sem ninguém ser seu amigo?
Eu fui ensinando ele a estudar, e ele foi me ensinando a
fazer amizades.
Mas em um determinado momento, ele começou a ficar
diferente; e começou a ter atitudes estranhas. Comecei a
pegar várias mentiras dele. E o desempenho dele nos
estudos voltou a cair.
Até que em um momento, por acaso, eu descobri o
verdadeiro problema por trás daquela mudança: Ele estava
envolvido com drogas.
Naquele tempo, eu ainda não tinha conhecimento para
ajudá-lo; e como vi que ele estava determinado a seguir
nesse caminho, então eu tive que me afastar dele. Embora
esse afastamento tenha sido bastante doloroso para mim.
Em pouco tempo, ele parou de estudar. Alguns anos mais
tarde, eu encontrei a mãe dele na rua; que me contou
como ele foi assassinado de uma forma cruel:
queimaram-no vivo por causa de dívidas não pagas com os
traficantes.
I – TUDO QUE O HOMEM SEMEAR, ISSO TAMBÉM CEIFARÁ.
O início da verdadeira
libertação de alguém em relação às drogas ocorre quando
a pessoa consegue assumir a própria responsabilidade. A
droga realmente produz um prazer muito grande quando é
utilizada; mas junto com esse prazer vem um preço, e um
preço muito caro. No início do uso, os prazeres parecem
ser maiores que os danos; pois as consequencias às vezes
demoram um pouco para aparecer. Porém, desde o início, o
vício já se estabelece, ou seja, a pessoa vai ficando
cada vez mais dependente e mais escrava da droga. No
início, ela não se dá conta de que já não sabe viver sem
a droga. Existe uma falsa sensação de é possível parar
com o uso a qualquer momento; porém, isso não é verdade.
Esse é somente uma das muitas mentiras que a pessoa
“conta para si mesma”, para justificar o prosseguimento
no uso.
Nas fases seguintes a mesma
quantidade de droga já não produz a mesma intensidade de
prazer. E por isso, vai se tornando necessário usar
quantidades cada vez maiores, ou então, diminuir o tempo
entre um uso e outro. É normal também que a pessoa sinta
a necessidade de migrar para outras drogas mais fortes,
pois a necessidade de sentir de novo aquele mesmo
prazer, ou de apagar a dor que se sente nos períodos de
abstinência, é profundamente violenta. O desejo se torna
tão violento como a necessidade que alguém tem de buscar
o próprio ar para respirar.
As outras coisas, e os prazeres normais da vida vão
perdendo a importância. Os relacionamentos de família e
as amizades também vão perdendo a importância. A razão
da vida vai se tornando somente uma preocupação em saber
como vai fazer para poder usar de novo na próxima vez.
Como já foi dito, existem
momentos de dor e de tristeza nos intervalos após o uso.
Nesses momentos até há uma rápida vontade de sair disso
e de buscar ajuda; mas esse pensamento é profundamente
momentâneo, pois a vontade de usar de novo vai tomando
conta da mente e apagando todos os outros pensamentos.
Todas as outras coisas vão
perdendo totalmente o valor no coração do viciado, a
única coisa que importa é a droga: como consegui-la e o
momento de usá-la.
Um ex-usuário certa vez me disse que o nome certo que se
devia dar para as drogas é demônio. Pois a droga, como
um demônio, vai destruindo tudo o que a pessoa é, e as
coisas de mais valor que ela tem.
Nesse ponto, a pessoa vai
perdendo tudo. Todas as coisas que antes mais tinham
valor para ela. Perde emprego. Perde a saúde. Perde os
amigos. Perde a família. Perde a dignidade. Perde o
respeito por si própria. E o pior, perde a capacidade de
enxergar com clareza a situação em que está metida, não
consegue enxergar a gravidade, e dessa forma, não aceita
ajuda. Se ilude e se engana achando que pode resolver
isso sozinha, ou então, que isso não é tão grave assim.
O viciado se torna
profundamente mentiroso. E vai manipulando todos a sua
volta. Vai na verdade adoecendo junto todas as pessoas
que o amam, e que sentem a dor indescritível de ver
alguém querido sumir na noite, sem saber se a pessoa
está viva ou morta.
Infelizmente, a maioria dos
usuários só aceita ajuda depois de atingir o “fundo do
poço”; ou seja, quando já perdeu tudo, tudo mesmo, e
quando percebe que chegou ao ponto no qual ou se trata
ou então verá a morte. Ele precisa entender que é o
responsável pelo fato, e também precisa entender que não
tem forças para sair disso sozinho. Internar alguém em
uma clínica contra a vontade dá pouco resultado. O
tratamento se torna muito mais eficaz quando a decisão
de ser tratado parte da própria pessoa. Ela precisa
entender que é a única responsável por haver entrado
nisso, e que é a única que pode tomar a decisão de sair.
Observe esse detalhe importante: A pessoa precisa querer
se libertar, e ao mesmo tempo precisa reconhecer que não
tem capacidade para se libertar sozinha. Precisa buscar
o auxilio especializado de alguém realmente capacitado e
que possa dar uma orientação segura.
Ore a Deus para que Ele lhe
mostre a quem procurar, e qual o tipo de tratamento
adequado para o caso específico.
II – ALGUNS DOS MOTIVOS QUE LEVAM ALGUÉM PARA AS
DROGAS.
Embora seja possível ajudar
alguém a se libertar das drogas, é muito mais eficiente,
e infinitamente menos doloroso, tomar medidas de
prevenção para que o primeiro uso não ocorra.
Construir uma vida forte e intensa com Jesus Cristo é um
antídoto excelente para prevenir o início desse
envolvimento. Veja que eu não estou falando em ser um
mero “frequentador de igreja”, e sim, alguém que
realmente tenha vida com Deus, alguém que desenvolva uma
intimidade pessoal com Deus e que tenha experiências com
Ele.
Vejamos alguns dos principais motivos que levam alguém a
se envolver com as drogas e como a vida com Deus nos
ajuda nessas questões:
a) Fuga de problemas: Alguns iniciam o uso como
“anestesia da alma”. Pois acreditam que podem encontrar
nas drogas a paz que falta na vida diária. Porém, ao se
envolver com a dependência química, vai conseguir um
problema mil vezes mais doloroso do que o problema
inicial. Fugir de um problema não é método de solução.
Através de uma vida com Deus conseguimos coragem e
sabedoria para enfrentar os nossos problemas. Ao invés
de fugir de um problema, busque a presença, o socorro e
a orientação de Jesus Cristo. Jesus nos deixou a
seguinte promessa:
“Eis que eu estou convosco todos os dias, até a
consumação dos séculos.” Mateus 28:20b
b) Falta de amor próprio: Quem não se ama, não
ama os outros; e consequentemente, também não é amado.
Você precisa aprender a se amar, porque quem não se ama
não têm estímulo para a vida. O ciclo perfeito do amor
ocorre quando você busca o amor de Deus, e tendo o seu
coração cheio de amor você começa a amar os outros, e
como consequência, vai começar a receber amor também. O
ser humano precisa se sentir amado, mas isso só ocorre
depois que você se enche do amor de Deus e começa a
semear esse amor na vida dos outros. Você não precisa de
drogas para ter coragem nem para se sentir amado. Existe
uma sede de amor no coração humano que somente Jesus
Cristo pode saciar. “Aquele que não ama não
conhece a Deus; porque Deus é amor.” 1 João 4:8
c) Desejo de ser aceito em um grupo: Procure sim
participar de um grupo de amigos que seja benção para a
sua vida, mas quando isso não for possível, é
infinitamente melhor ficar sozinho do que mal
acompanhado. Se o grupo que você pertence está te
coagindo a ir contra a sua consciência e a fazer o que
você sabe que é errado, então fuja desse grupo. Peça a
Deus que te ensine a construir amizades verdadeiras, e
que aproxime de você amigos que realmente sejam benção
para a sua vida, e não mensageiros da destruição.
Salmo 1:1 – “Bem-aventurado o homem que não anda segundo
o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos
pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores;”
Conclusão:
Quem desenvolve um
relacionamento pessoal e profundo com Jesus Cristo está
muito mais protegido da possibilidade de se envolver com
alguma droga. E falo de um relacionamento vivo e
pessoal, não de gente que vive pela fé dos outros.
A maior herança que alguém pode deixar para um filho não
é nem dinheiro nem bens, e sim, levá-lo a conhecer Jesus
de forma verdadeira, sendo um exemplo nisso para os seus
filhos.
E ao falar nisso me vem a
lembrança de um pastor amigo, muito querido, que quando
o filho se tornou adolescente, foi até o quarto dele e
disse: “Filho, eu não quero que o motivo de você ir para
a igreja seja somente pelo fato do seu pai ser o pastor;
mas o meu grande desejo é que você mesmo também conheça
Jesus de verdade, e que você vá na igreja por Jesus e
não por mim.”
Autor deste artigo:
Pr Marcelo Escandarane
1ª Igreja Batista em
Niterói, RJ
escandarane@uol.com.br
Publicado na revista O
Embaixador 4T10

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